11 de Setembro de 2009

Aqui está a tradução do quarto review do álbum The Resistance, escrito por uma das pessoas que esteve presente na listening session do dia 1 de Setembro em Londres.

 

 

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The Resistance” tem o típico poder que os muse nunca deixam de criar, juntamente com novos domínios de beleza e novos contos. O álbum começa com “Uprising”, uma carga de electricidade optimista. Possui uma batida que te faz querer jogar à maca… no espaço. É experimental, no sentido de os vocais do Matt terem algo de glam-pop. O nome da faixa encaixa-se perfeitamente na própria canção e o seu refrão dá movimento.

 

A “Uprising” é seguida de perto pela “Resistance”. A sua percussão “em corrida” cria velocidade. O refrão é muito chamativo; repete a frase “It could be wrong” (pode ser errado) o que cria uma ligação imediata com os ouvintes, assim como a sua repetição nos leva a reiterar as palavras. A canção é subtilmente, mas significativamente enigmática.

 

"Undisclosed Disires" sucede a faixa. Aqui é onde os Muse demonstram a sua capacidade de serem tão diversificados. “Undisclosed Disires” é uma pista tão diferente que te tira da zona de conforto. Rhythm and Blues (R & B para muitos) vem à cabeça. Gradualmente evolui para o glam-pop dos anos 80, embora eu estivesse mais ou menos a espera que houvesse alguma forma de rap. A natureza “para-arranca” desta faixa acompanhada pela atitude dos staccatos de violino torna-se um dos factores “wow” deste álbum.

 

A seguir a esta, é a grande "Unites States Of Eurásia/ Collateral Damage". Eu digo "grande", porque quer tu ames ou odeies esta faixa terás, sem dúvida, ouvido falar ou tomado parte na grande caça ao tesouro global que resultou na divulgação desta música. A sua introdução poética proporciona um ar de romance, rapidamente interrompido por um choque eléctrico Queen-esco com uma boa ajuda de fraseado ao estilo árabe. A canção ilustra a obsessão do mundo com a política enquanto o fraseado árabe é combinado com a percussão que lembra soldados a marchar. Mantendo-se no tema da política, a faixa mostra ordens de etilo militar bastante dramáticas com o "SIA!" a ser invocado. A peça é suavemente alisada com uma forma de “ritardando”, transformando-o num mais pacifico Nocturne Op. 9 n º 2 (em Mi bemol maior) de Chopin com um toque diferente. A peça vai mergulhando com ecos fantasmagóricos de crianças a brincar. Embora seja apenas uma ligeira diferença da peça de Chopin original, ela cria uma atmosfera completamente contraditória. A peça de Chopin é em grande parte romântica, porém com a adição dos ecos suaves da parte dos Muse, gera-se um final um pouco trágico, assombrado e inesquecível, que é muito apropriado quando tu encontras as semelhanças entre a música e as questões políticas actuais.

 

No entanto, a atmosfera sombria depressa que torna mais iluminada com a balada poderosamente apaixonada e bem disposta “Guiding Light”. A música soa como o resultado das baladas dos anos 80 misturadas com riffs ainda mais brilhantes de guitarra inspirados em Queen. A música lembra tanto as baladas poderosas dos anos 80 que quando ouvi isto, senti um desejo esmagador de me levantar, agitar o meu punho bem alto e gritar “Yeah!” como se eu tivesse ganho alguma coisa indistinguível. Mais uma vez, o titulo desta faixa é muito apropriado para a música e ambos transmitem um sentimento de esperança.

 

Depois de “Guiding Light” segue-se “Unnatural Selection”, dominando o álbum ao usar o poder da voz do Bellamy com o estilo glam-rock do Brian May. Os vocais parecem rezados ou falados. O seu tempo e crescendo rápido dão um movimento fortificante, criando uma onda de energia e libertando-a na forma de um refrão poderoso. Esta música é logo seguida por “MK Ultra”. Esta demonstra o típico carácter rock-funk dos Muse e mistura aquilo que eu apenas consigo descrever como religião galáctica. Ou como se o Papa traísse a religião e tivesse em caso amoroso com um andróide numa igreja numa colónia espacial qualquer! A faixa em si produz diferentes personagens o que mantém o ouvinte interessado na história.

 

Vais dar contigo a dançar involuntariamente ao som da peça seguinte “I Belong To You / Mon Couer S’Ouvre A Ta Voix” pois esta possui um tom mais alegre e menos sério. A sequência de cordas e de clarinetes vintage apresentam um romance em tempos de tensão, na forma de uma dança tango. Matt exibe as suas habilidades na língua francesa ao cantar uma espécie de serenata. Infelizmente, apesar do seu vocabulário e gramática parecerem no ponto, o resultado geral da serenata parece um pouco cómico aos meus olhos, pois parece que ele talvez se esteja a esforçar demais. No entanto a peça é definitivamente desfrutável. Em certos pontos da música eu sinto-me tentada a gritar “Woo!” pois sei o que está a chegar.

 

“Exogenesis: Symphony, Part 1 (Ouverture)” e as sinfonias parte 2 e 3 (Cross-Pollination e Redemption). A abertura começa com uma introdução suave, a relembrar bastante as introduções nos filmes antigos. A música evolui, dá a impressão que estás a olhar para o inicio de um thriller romântico. Batidas profundas imitam o som das batidas do coração e instantaneamente atrai-te, como se a música estivesse viva e tu estivesses a viver com ela. A ligação imediata assegura que tu vives o conto, em vez de apenas o ouvires. A peça irradia beleza desde o inicio. Os falsettos do Matt parecem demonstrar dor e tristeza; os vocais são indecifráveis mais não são um grande problema. As cordas são cativantes e a guitarra áspera cria uma cena de por do sol doloroso. A irregularidade da música conta uma vaga historia que tu queres perceber mas não consegues. Acaba com arpeggios cadentes que nos leva até a “Cross-Pollination”. Cross-Pollination parece um interlúdio entre as partes “Ouverture” e a “Redemption” da sinfonia, dando-nos uma história dolorosa de um desgosto. Tal desânimo e desespero obrigam a morder o lábio. Este impacto da música é criado na “Ouverture” quando te obriga a viver com ela em vez de apenas a ouvires. Ela pede ajuda, usando as frases “We are counting on you” (estamos a contar contigo) e “You must rescue us all” (tens que nos salvar a todos). Mais uma vez acaba com uma cadência que une ambas as partes 1 e 2 com a parte 3; “Redemption”. Esta peça está adornada com cordas oscilantes e piano harmonioso que deriva à medida que o tempo passa. Lembra-me particularmente o fim de um filme; quando a conclusão é feita. Acaba com uma nota de esperança e luz com acordes apologéticos. Eu sinto que a saga de Exogenesis parece um álbum por si próprio.

 

Um álbum que parece mais o resumo de um filme vintage.

Em conclusão, o álbum apresenta muitas características. Começa com atitude, alguns vão dizer que é um pouco mainstream e outros vão dizer que é mais ambicioso. Eu adoro a combinação distinta do pop/rock dos anos 80 com o R&B mais contemporâneo porque faz o álbum parecer mais único e mais inventivo. É um álbum poderoso com muito movimento. O álbum prova que a banda ainda é capaz de criar novos sons. Demonstra um lado dos Muse que esteva sempre lá mas nunca foi ouvido. Há algo que tenho que admitir. Depois de absorver as primeiras notas da introdução de Exogenesis: Symphonie, Part 1 (Overture), estando eu envergonhada por isso, senti um impulso irresistível de… ir à casa de banho. Não para por pó no meu nariz. Isto não é mentira. Até podem perguntar aos outros vencedores da competição que estavam comigo na altura. Acho que posso dizer com segurança… “As sinfonias Exogenesis dos Muse fizeram-me chorar.”

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Review feito por Natalie Sung, Setembro 2009

 


Fonte: http://muse.mu/news/article/486/review-the-resistance--4/

Inês Leal (Tradução: Maria João Sousa - mJ)

publicado por muse.PT às 21:21
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