11 de Setembro de 2009

Aqui está a tradução do terceiro review do álbum The Resistance, escrito por uma das pessoas que esteve presente na listening session do dia 1 de Setembro em Londres.

 

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Para onde exactamente vai uma banda após uma experiência revelatória com buracos negros? Aparentemente de volta à Terra. Se o Origin of Symmetry foi o embarque dos Muse na sua odisseia de rock espacial, The Resistance é o seu regresso a casa, amadurecidos, concentrados e com a intenção de arrasar. Desaparecida está a angústia e a insular obsessão própria, já não são adolescentes, já não estão a brincar; aterraram de volta neste planeta e não estão a gostar do que vêem.


Não há nenhuma introdução gentil ao contrário do que estávamos habituados – A “Uprising” entra vibrante em acção enquanto te agarra pelo pescoço, atira-te contra a parede e revista-te se tens escutas, caso sejas, tu sabes, “um deles”. A agenda está preparada – rise up and take the power back. A “Resistance” entra com uma abertura echo-laden de sonho, com baterias trovoantes, dominadas por um simples gancho de piano e batida disco. Ela culmina num satisfatório refrão, com o Capitão Bellamy rugindo “Love is our Resistance!” e quem somos nós para o discutir? Mas a Thought Police está no seu encalço, em breve o amor não será suficiente.


Vigorosas facadas de sintetizador fazem de introdução em “Undisclosed Desires”, uma relaxada “Map of the Problematique” tornada sentimental. O Matt canta num tom baixo “beauty is not just a mask / exorcise demons from the past”. Uma sensual declaração de devoção e construção de um futuro juntos, justaposicionada com precursão ao estilo de Timbaland.

 

A United States of Eurasia leva-nos de volta à onde de paranoia de 1984, uma balada de piano trasforma-se numa escala Arábica e com um refrão com um tributo bem nítido aos Queen. Somos alarmados para a união das massas da Terra para igualar o poder da América, e isso dá-nos uma nota de alívio cómico nesta investida dos Muse.

 

Uma grande influência dos anos 80' é sentida na "Guiding Light" - um ritmo de batida do coração rasgado  com guitarras que vão inundar todo o local de um concerto ao vivo. É uma música lenta e suave,  Matt lamenta: "Eu estou confuso, sem luz guia". Estamos prestes a iniciar um motim. Linhas serão cruzadas, vidas podem ser perdidas - mas nós queriamos evolução nao era? A "Unnatural Selection" é o encapsulamento de áudio deste sentimento, um intro com órgão de igreja gemido como o balanceamento, prestes a explodir, batendo em seguida, um riff começa a martelar a nossa sensibilidade aos pedaços, tornando-nos participantes dispostos nesta perturbação. O trabalho do baixo é implacável, arrastando-nos para uma violência rítmica - empurrem-no para além protesto pacífico!

 

A melodia apresenta uma breve pausa para refletir sobre a destruição e recuperar a sua energia, tendo simultaneamente um solo sujo de blues - mas "não somos gotas no oceano" é o grito de guerra antes de  um  riff à estilo dos Guns N 'Roses completo para terminar bem. Numa palavra: orgasmico.

 

A Mk Ultra, com cortes rápidos nos sintetizador e batidas baixas, adverte-nos que "eles estão a quebrar". Eles estão a correr atras de nós, a retribuição de nossa rebelião. É rápido, frenético e excitante, intercalado com riffs pesados e com vocals estilo Queen. O Matt canta "we're falling... loosing control" - poderia ser a nossa resistência, não? Foi a luta sempre fixa? Eram quem espiava o nosso pensamento a toda a hora? Temos que reconhecer que, porém, 'I Belong to You (+ Mon Coeur s'ouvre A Ta Voix) é como uma chegada ao inferno no memento de acordar! Ela promove visões do Matt num piano antigo e desenvolto, escondido no seu esconderijo proibido, deleitando-se no que poderiam ser seus últimos momentos na Terra. São notáveis alguns toques de "Butterflies and Hurricanes"  e do estilo vocal de Edith Piaf, antes de voltar ao optimismo, uma melodia saltitante e um solo de clarinete imitam a linha vocal. Um choque num enorme gongo significa o fim da festa. Uma secção de cordas expirais anuncia o começo da sinfonia Exogenesis. O som de tambores diz-nos que estamos em perigo, e a tensão aumenta com  uma sequencia argiática. Os falsettos levam-nos a lugares escuros, e uma guitarra distorcida mostra fortemente as cores da grande sinfonia, ameaçando com uma elevação. Um intenso e sóbrio solo de piano que é hora de abandonar este planeta condenado.Temos de "percorrer as nuvens tóxicas / violação da atmosfera / borda de todos os nossos medos". "Torna-se desastroso e catastrófico como estamos colocados em órbita, diga-nos o seu último desejo / nós vamos dize-lo ao mundo", diz Bellamy como se fossemos começar a nossa jornada para um destino desconhecido. 'Redemption' constrói a partir de uma simples reminiscência repetitiva melodia de 'Blackout' para um refrão eufórico de "vamos começar tudo de novo". Nós flutuamos levemente através do espaço agora, em paz com as nossas escolhas e em harmonia. Vamos acertar desta vez.

 

O The Resistance é desgastante. Ele leva-nos através de todo um espectro de emoções humanas, uma jornada espetacular  num álbum. É evidente que ao produzir as próprias canções, Muse tinham total liberdade para experimentar e não voltar quando algo era demasiado esotérico, estranho ou apenas um bocado insano. E isso é porque nós os amamos. Como Winston Smith, que está a tomar uma posição, tendo chances. Estes rebeldes segredos saíram do esconderijo e foram entregues a uma verdade, profunda, uma multi-facetada saudação eclética e sem monotonia musical.
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Review feito por Dan Fry, setembro 2009

 


Fonte: http://muse.mu/news/article/486/review-the-resistance--3/

Inês Leal (tradução: Diogo Santos e Inês Leal)

publicado por muse.PT às 21:06
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